Desde o século passado o gerenciamento de qualquer sistema produtivo inclui objetivos e indicadores como forma de medir o progresso e atingir metas específicas.

E isto é correto. Se uma empresa quer ter um crescimento de X%, ela deve ter um plano para isto, e este plano deve contemplar todas as ações e os recursos que são necessários para tal.

Por que então não podemos fazer o mesmo em Segurança?

Segurança não é um sistema produtivo.

Acidentes não são um processo no qual podemos intervir e modificar suas variáveis, por que não só elas não são inteiramente controláveis, como na maioria dos casos alguma coisa nova se apresenta a cada vez.

Mas podemos ter um plano com ações e recursos e obter uma redução das taxas se formos diligentes e dedicados!

Sim, você pode fazer isto e obter os resultados. Ou fazer isto e não obter os resultados!

Ou seja, não há uma relação linear. Na produção, você aumenta insumos, aloca pessoas, aumenta horas de trabalho e produz mais. Linear. Em Segurança isto não ocorre.

Não obstante, a redução nas taxas sempre virá quando a empresa for responsável e investir em Segurança, isto é normal e esperado. Mas ninguém pode predizer o quanto, nem quando.

Como então vamos medir o progresso da Segurança?

Sua empresa tem um plano para o pessoal da segurança, nele tem uma série de ações como ministrar treinamentos, inspeções, auditorias, análise de riscos, etc. A estes itens podem ser atribuídos valores, como 100% dos treinamentos ministrados, uma inspeção nova por dia, etc., e você poderá medir o progresso, o envolvimento, o esforço do pessoal. Mas veja que este é plano para o pessoal da segurança, pois, eles são o apoio e os consultores de Segurança para o negócio.

O pessoal da segurança não sofre acidente!

Como também não pode ser responsabilizado por eles.

Quem sofre acidentes? O pessoal da produção, manutenção, logística e outras áreas é que têm seu pessoal, infelizmente, vítimas de acidentes. Os dirigentes e líderes de cada uma destas áreas é quem são os responsáveis por ocorrerem, ou não ocorrerem, os acidentes. São eles que devem seguir as recomendações do programa de Segurança – e aqui se assume que este foi elaborado em conjunto uma vez que eles são seus beneficiários diretos.

E o que vamos medir para saber se estamos fazendo a coisa certa e obtermos as reduções de acidentes que almejamos?

Essencialmente a adesão e a atitude aos diferentes pontos do programa de Segurança serão um prato cheio de indicadores inequívocos do caminho que se está percorrendo. Exemplos:

% de presença nos treinamentos, número de reportes de quase-acidentes, número de riscos levantados, 100% de controles implantados dos riscos levantados (nunca aceite menos), % de procedimentos de tarefas revisados, zero não-conformidades nas auditorias, a lista é grande e não é complicada sua elaboração e seguimento.

Se você premia esforço, obtém resultados. Se você premia resultados, não obtém esforço.

Baseado nesta premissa, a ideia central para a avaliação de cumprimento de objetivos em Segurança é a medição do esforço que se está prestando à Segurança. Os resultados virão com os esforços.

Fonte: Michel Polity

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